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Hora da Leitura: A última crônica

20:38 A leitora 0 Comentários Categoria : , ,


      Hey, Leitores!      
      Hoje compartilho um texto que conheço há muitos anos, mas só agora veio-me a ideia de postá-lo aqui. Trata-se de uma Crônica, uma das minhas preferidas, escrita por Fernando Sabino. Muitas coisas contribuem para que eu goste dela, mas não irei me estender muito nessa introdução do post, digo apenas que ela  emociona, cativa e inspira. Não sei se alguém já percebeu, mas sou fascinada pelo uso da metalinguística, (usar a Língua pra falar da Língua, a literatura para falar de literatura  a escrita para falar da escrita) e aqui, uma Crônica que transmite um pouco da essência de uma Crônica *.*. Leia e aprecie comigo, asseguro que vale a pena <3



Hora da leitura: A escolha

13:31 A leitora 0 Comentários Categoria : ,

Hey, Leitores!

  Como estão? Espero que sempre preparados para mais uma leitura ^.^, pois hoje quero compartilhar o trecho de um livro muito famoso, principalmente no âmbito acadêmico, mas que pode trazer valiosas lições para qualquer um que o ler. Na verdade eu ainda não li o livro inteiro, mas acompanhei a leitura do meu irmão e não resisti em postar a parte que mais gostei (entre as que ouvi). O livro tem vários quotes legais, mas esse em especial está totalmente de acordo com a sociedade capitalista em que vivemos (e também me fez rir). Leia e diga o que achou. Espero que seja um leitura interessante para vocês, tanto quanto foi para mim ^.^



  DURANTE A AULA DA TARDE, Simeão repetiu muitas vezes a importância da responsabilidade e da escolha.
    — Quero contar a vocês uma história real que me aconteceu há uns sessenta anos. Quando eu estava na sexta série, meu professor, Sr. Caimi, proferiu as palavras
que naquele momento bateram em mim como as mais profundas jamais ditas. Ascrianças da sala estavam reclamando por terem que fazer o dever de casa, e o Sr.
Caimi gritou: "Eu não posso obrigar vocês a fazerem o dever de casa!" Aquilo chamou nossa atenção e ficamos quietos. Ele continuou: "Há apenas duas coisas nesta vida que vocês têm que fazer. Vocês têm que morrer e têm que..."
    — Pagar impostos! — interrompeu o sargento.
   — Exatamente, Greg, morrer e pagar impostos. Naquele momento eu achei que aquela era a coisa mais libertadora que eu jamais ouvira! Que coisa! Isto é, eu estava apenas na sexta série, e morrer parecia a um milhão de anos de distância. E, como não tinha dinheiro, não podia pagar impostos. Eu me senti absolutamente livre! Quando fui para casa terça-feira à noite, meu pai disse: "Filho, por favor, leve o lixo para fora."Eu respondi: "Ei, espere um minuto, papai. O Sr. Caimi nos ensinou hoje que há somente duas coisas na vida que temos que fazer: morrer e pagar impostos." Nunca esquecerei sua resposta. Ele olhou para mim e disse, muito devagar mas, claramente: "Filho, estou contente por você estar aprendendo tantas coisas valiosas lá na escola. Agora, é melhor pegar logo esse lixo porque você acaba de optar por morrer!"
     Depois que a risada cessou, Simeão continuou:
  — Mas, vocês sabem, o Sr. Caimi não disse a verdade naquele dia. Há pessoas que optam por não pagar impostos. Enquanto estou aqui falando, há pessoas nas florestas do noroeste do Pacífico que têm vivido do cultivo da terra desde a Guerra do Vietnã. Elas nem mesmo usam dinheiro, muito menos pagam impostos. Amigos, há apenas duascoisas na vida que vocês têm que fazer. Vocês têm que morrer e fazer escolhas. Dessas não há como escapar.
[…]
Trecho do livro “O monge e o executivo – uma história sobre a essência da liderança”, de James C. Hunter. páginas 124 - 215

Hora da Leitura: Receita de Ano Novo

22:54 A leitora 0 Comentários Categoria : ,

Olá!
       Já é 2013! O ano é novo, muitas coisas para mudar, para melhorar e também para manter. Não importa o ano, sempre há um momento em que aquele livro será lembrado, o momento para aquela leitura. Então acredito que esse seja o momento propício para relembrar as palavras de um dos maiores poetas que  já existiram, um poema conhecido, mas que não deixa de ser lido a cada "vir-a-ser".

Angela Martini jovens rapazes leitores

RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

Hora da leitura: eu carrego seu coração comigo ( i carry your heart with me)

21:37 A leitora 0 Comentários Categoria : , , , , ,

Hey Leitores! Eis aqui um dos meus poemas favoritos, escrito pelo poeta inglês e.e. cummings, para que possamos apreciar juntos. Sou suspeita para falar, mas acho-o belíssimo, simples, sincero e ao mesmo tempo profundo. Leia  este poema sobre um amor descrito como do tipo de amor que transcende a alma ou a mente:

eu carrego seu coração comigo

Carrego seu coração comigo (eu o carrego no meu
coração) nunca estou sem ele (onde quer que eu vá
você vai vai, minha querida; e o que quer que seja feito
somente por mim é feito por você, minha querida)
não tenho medo
do destino(pois você é meu destino, minha querida, minha doçura)
não quero
o mundo (pois você linda é o meu mundo, minha verdade)
e você é o que qualquer lua tenha significado
e o que quer que um sol cantar será sempre você

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe(
(aqui está a raiz da raiz e o broto do broto
e o céu do céu de uma arvore chamada vida, que  cresce
mais altado que a alma pode ter esperança ou a mente pode esconder)
e essa é a maravilha que mantém as estrelas separadas

Eu carrego seu coração (eu o carrego no meu coração)


In English ^ ~ :


i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)


Sobre o autor:

e.e. cummings ( isso mesmo, era assim que ele assinava, não usava letras maiúsculas ^^) , ou melhor, Edward Estlin Cummings, nasceu em Cambridge, Massachusetts, em 1894. Ele Morreu em North Conway, NH, em 1962. Cumming graduou-se em Harvard, e tornou-se mestre em Inglês e Estudos Clássicos por esta mesma universidade.

Cummings fe parte de uma equipe de ambulância na Cruz Vermelha norte-americana na França durante a Primeira Guerra Mundial.  Devido a uma falsa acusação por traição, foi preso pelos franceses, os três meses na prisão renderam um romance (The Enormous Room).

Além do reconhecimento como poeta,  é considerado um excelente romancista e dramaturgo. Contudo, a unica arte que competia diretamente com a poesia era  pintura, passava a maior parte do dia pintando e a maior parte da noite escrevendo.

O poema:

O estilo poético de Cummings é único e altamente visual. Sua independência tipográfica foi uma experiência  com pontuação, escrita e quebra de regras. Seus estilo força certo ritmo no poema quando o mesmo é lido em voz alta. Sua linguagem é simples e muitos de seus poemas tornam-se divertidos (ou simplesmente belos, como este ^^) .


Dica de Leitura: A garota das laranjas

22:39 A leitora 0 Comentários Categoria : , , ,

Hey Leitores!


Se alguém está à procura de um livro sensível , que conduza a pensamentos mais profundos e, ao mesmo tempo, te deixe encantado com os mistérios da vida, eis aqui uma dica preciosa: A garota das laranjas . Leia e descubra-se apaixonado por essa narrativa diferente e, como não me canso de dizer, toda especial!

Neste novo livro de Jostein Gaarder - o autor que conquistou milhões de leitores de diversas idades com O mundo de Sofia e outros sucessos internacionais -, uma carta que ficou guardada por muito tempo revela ao adolescente Georg Roed uma história extraordinária. O autor da carta é o pai do menino, morto há onze anos - ele escreveu esta longa mensagem de despedida para que o garoto pudesse lê-la depois, quando estivesse mais maduro. [...] Alternando entre a voz de Georg e a do pai, Jostein Gaarder constrói uma narrativa pontuada com perguntas filosóficas, que tratam de temas como o amor, a morte e a grandeza do universo.



      Se você gosta de apreciar os bons momentos da vida e sabe compreender a importância de um momento, sabe valorizar aquele que está ao seu lado, prepare-se para sentir seus olhos marejados; se você ainda não parou para pensar em sua própria existência e em como tudo é tão fugaz , tão pequeno, eis uma excelente oportunidade de abrir não só os olhos, mas a mente e o coração.

      Deixo então dois de meus trechos preferidos, leia com atenção e reflita ( depois diga-me o que achou ^^):


Se tudo que aconteceu no universo pudesse se condensar num único dia, a Terra só teria surgido no fim da tarde. Os dinossauros apareceriam alguns minutos antes da meia-noite. E os seres humanos existiriam há apenas dois segundos...



Eu me detenho diante dela. Com muito cuidado, acaricio-lhe o cabelo úmido e pouso a mão na fivela de prata em sua nuca. Embora esteja gelada, aquece todo o meu corpo. Porque eu estou mesmo tocando aquela fivela!

Então pergunto:
- Quando a gente vai se encontrar outra vez?
Ela olha fixamente para o asfalto antes de erguer os olhos e me fitar. Suas pupilas dançam, inquietas, tenho a impressão de que seus lábios estão trêmulos. Então ela apresenta um enigma com o qual ainda hei de quebrar muito a cabeça. Pergunta:
- Quanto tempo você consegue esperar?
Que diabo de resposta eu podia dar, Georg? Talvez fosse uma armadilha. Se dissesse "dois ou três dias", eu me mostraria impaciente demais. E, se respondesse "a vida inteira", ela podia pensar que eu não a amava tanto assim ou talvez que não fosse sincero. De modo que era preciso encontrar uma resposta intermediária.
Eu disse:
- Agüento esperar até que o meu coração comece a sangrar de aflição.
Ela sorriu, insegura. Então roçou o dedo em meus lábios. E perguntou:
- E quanto tempo demora?
Desesperado, eu sacudi a cabeça e resolvi dizer a verdade.
- Cinco minutos, talvez.

Leitura: Conto "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector

15:55 A leitora 0 Comentários Categoria : , , ,

     



Para todos aqueles que não se contentam em ler o livro e devolvê-lo à biblioteca, que adoram o cheirinho de um livro novo, que ficam eufóricos ao ganhar um livro de presente, que não conseguem conter a alegria quando compram um livro, para quem ama livros ... eis alguém que compartilha esse sentimento com você: (eu :p) Clarice Lispector, que escreveu este conto maravilhoso. Se você não conhece, leia e aprecie!



Felicidade Clandestina


Clarice Lispector
São Paulo, Ed. Ática, 1996

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.

No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!

E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.

Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.

A Breve Segunda Vida de Bree Tanner - 1º Capítulo

21:15 A leitora 2 Comentários Categoria : , , , ,

Olá leitores!!!
Tenho estado um pouco ausente, por isso resolvi recompensá-los um pouquinho! o que acham de uma olhadinha em "A breve segunda vida de Bree Tanner" ? Acho que já deu para notar que eu gosto da saga né ?!  Então, para quem ainda não leu, leia aqui no Aos leitores o 1º capítulo do livro  *__* ... e quem já leu, faça um comentário (mas sem deixar spoliers hein?) ... aproveite!



A manchete do jornal parecia gritar do outro lado do vidro da pequena máquina de venda: SEATTLE SITIADA – MORTES AUMENTAM NOVAMENTE. Eu ainda não havia visto essa. Algum jornaleiro devia ter reabastecido a máquina pouco antes. Sorte dele que não estava por perto agora.
Maravilha. Riley ia ter um ataque. Eu faria de tudo para não estar presente quando ele visse o jornal. Ele que arrancasse o braço de outra pessoa.
Fiquei escondida na sombra de um velho prédio de três andares, tentando não ser notada, enquanto esperava que alguém tomasse uma decisão. Não queria encarar ninguém, por isso olhei para a parede ao meu lado. O piso térreo do edifício tinha abrigado uma loja de discos que fechara havia muito tempo; as janelas, quebradas pelo mau tempo ou pela violência das ruas, estavam tampadas por tapumes de madeira. Nos andares de cima havia apartamentos – vazios, acho, já que não se ouvia o som normal de humanos dormindo. Eu não estava surpresa, pois o lugar parecia pronto para desmoronar com um vento um pouco mais forte. Os prédios do outro lado da rua escura e estreita também eram velhos e destruídos.
O cenário normal de uma noite pelas ruas da cidade.
Eu não queria falar e chamar atenção, mas seria bom se alguém decidisse alguma coisa. Estava com muita sede, e não me importava muito se iríamos para a direita, para a esquerda ou por cima do telhado. Só queria encontrar uns azarados quaisquer, que então não teriam nem tempo de pensar lugar errado, hora errada.
Infelizmente, naquela noite Riley me mandara sair com dois dos vampiros mais inúteis que existiam. Ele nunca parecia se importar com quem mandava nos grupos de caça. Especialmente porque mandar as pessoas erradas em um grupo significava que menos gente voltaria para casa. Naquela noite ele havia me colocado com Kevin e outro garoto louro cujo nome eu não sabia. Os dois eram da gangue de Raoul, por isso nem preciso dizer que eram estúpidos. E perigosos. Mas, naquele momento, mais estúpidos que qualquer outra coisa.
Em vez de decidir em que direção caçaríamos, eles estavam em meio a uma discussão sobre qual de seus super-heróis preferidos seria melhor caçador. O louro sem nome demonstrava sua preferência pelo Homem-Aranha escalando a parede de tijolos do beco enquanto cantarolava a música tema do desenho animado. Eu suspirei frustrada. Quando íamos caçar?
Um movimento sutil à esquerda chamou minha atenção. Era Diego, o outro membro do grupo de caça formado por Riley. Eu não sabia muito sobre ele, somente que era mais velho que a maioria dos outros. E era o braço direito de Riley. Isso não me fazia gostar dele muito mais que dos outros idiotas.
Diego estava me olhando. Devia ter ouvido o suspiro. Eu desviei o olhar.
Manter a cabeça baixa e a boca fechada – esse era o caminho para continuar vivo na turma de Riley.
- O Homem-Aranha era um fracassado chorão – Kevin disse para o garoto louro. – Vou mostrar como um super-herói de verdade caça. – Ele sorriu. Seus dentes rilharam sob a luz de um poste.
Kevin saltou no meio da rua quando os faróis de um carro iluminaram o calçamento esburacado com um brilho branco-azulado. Ele flexionou os braços para trás, depois os uniu lentamente como um lutador profissional se exibindo. O carro se aproximava, provavelmente esperando que ele saísse do caminho como faria uma pessoa normal. Como ele deveria fazer.
- Hulk com raiva! – Kevin gritou. – Hulk… ESMAGA!
Ele saltou para a frente e foi de encontro ao carro antes que o motorista pudesse frear, agarrou o para-choque dianteiro, girou o veículo sobre a cabeça e jogou-o no chão com as rodas para cima, provocando um estrondo de metal se retorcendo e vidro quebrando. Lá dentro, uma mulher começou a gritar.
- Cara… – Diego disse balançando a cabeça. Ele era bonito, com cabelos escuros e encaracolados, olhos grandes e lábios carnudos, mas quem não era bonito ali? Até Kevin e os outros idiotas da gangue de Raoul eram bonitos. – Kevin, não devíamos chamar atenção. Riley disse…
- Riley disse! – Kevin o imitou, afinando a voz. – Não seja medroso, Diego. Riley não está aqui.
Kevin saltou sobre o Honda capotado e deu um soco na janela do lado do motorista, que de alguma forma permanecera intacta até aquele momento. Ele enfiou a mão entre os vidros quebrados e tateou o air bag que já murchava, tentando encontrar o motorista.
Eu me virei de costas e prendi a respiração, fazendo um grande esforço para não perder a capacidade de pensar.

Não podia ver Kevin se alimentando. Estava com sede demais para isso e não queria brigar com ele. Eu não precisava entrar na lista de alvos da gangue de Raoul.
O garoto louro não teve a mesma preocupação. Ele saltou da parede e aterrissou bem atrás de mim. Ouvi quando ele e Kevin rosnaram um para o outro, depois escutei um som como o de tecido molhado sendo rasgado, e os gritos da mulher cessaram. Provavelmente, eles a haviam partido ao meio.
Tentei não pensar nisso, mas podia sentir o calor e ouvir o gotejar atrás de mim, e isso fazia minha garganta arder insuportavelmente, embora eu não estivesse respirando.
- Vou dar o fora daqui – ouvi Diego resmungar.
Ele entrou por um vão entre os prédios escuros, e eu fui logo atrás. Se não saísse dali bem depressa, ia acabar brigando com os encrenqueiros da gangue de Raoul por um corpo que provavelmente não tinha muito mais sangue àquela altura. E então, talvez eu não voltasse para casa.
Ah, mas minha garganta ardia! Rangi os dentes para reprimir um grito de dor. Diego seguia rapidamente por um beco cheio de latas de lixo e, quando chegou ao fundo, subiu pela parede. Enfiei os dedos nas brechas entre os tijolos e subi atrás dele.
No alto, Diego decolou, saltando com leveza de um telhado a outro na direção de luzes indistintas, fugindo daqueles ruídos. Eu ia atrás dele. Era mais nova e portanto mais forte – era uma boa coisa que nós, os mais jovens, fôssemos mais fortes, ou não teríamos sobrevivido à primeira semana na casa de Riley.
Eu poderia ter ultrapassado Diego com facilidade, mas queria ver para onde ele ia, não queria que ele ficasse atrás de mim.
Diego percorreu quilômetros sem parar; estávamos quase nas docas industriais. Eu podia ouvi-lo resmungando sozinho.
- Idiotas! Como se Riley não nos desse instruções por um bom motivo. Autopreservação, por exemplo. É preciso o mínimo de bom senso! Seria pedir demais?
- Ei! – eu chamei. – Vamos caçar logo? Minha garganta está pegando fogo.
Diego aterrissou sobre o amplo telhado de uma fá¬brica e se virou. Eu saltei alguns metros para trás, em guarda, mas ele não fez nenhum movimento agressivo na minha direção.
- Vamos – ele respondeu. – Só queria me afastar dos lunáticos.
Ele sorriu, todo simpático, e eu o encarei.
Diego não era como os outros. Era meio… calmo, acho que era essa a palavra. Normal. Não agora, mas antes. Seus olhos eram vermelhos, mais escuros que os meus. Ele devia existir daquele jeito havia um bom tempo, como eu ouvira dizer.
Da rua lá embaixo vinham os sons da noite em uma área pobre de Seattle. Poucos carros, o som pesado do baixo nas músicas, algumas pessoas caminhando com passos nervosos, rápidos, um bêbado cantando desafinado ao longe.
- Você é a Bree, não é? – perguntou Diego. – Uma das recém-criadas.
Eu não gostava disso. Recém-criada. Que fosse.
- Sim, eu sou a Bree. Mas não cheguei com o último grupo. Tenho quase três meses.
- É bem rápida para quem só tem três meses – ele disse. – Poucos teriam conseguido sair da cena do acidente desse jeito. – Ele falou como um elogio, como se estivesse realmente impressionado.
- Eu não queria me misturar àqueles malucos do Raoul.
Ele assentiu.
- Amém, irmã. Esse tipo só arruma encrenca.
Esquisito. Diego era esquisito. O jeito como ele falava, como uma pessoa conversando normalmente. Sem hostilidade, sem desconfiança. Como se não estivesse pensando em quanto seria fácil ou difícil me matar naquele exato momento. Estava apenas conversando comigo.
- Há quanto tempo está com Riley? – perguntei, curiosa.
- Quase onze meses.
- Uau! Você é mais velho que Raoul!
Diego revirou os olhos e cuspiu veneno de cima do prédio.
- Sim, eu lembro quando Riley chegou com aquele traste. Depois disso, tudo só foi ficando muito pior.
Fiquei quieta por um momento, imaginando se ele considerava qualquer um mais jovem que ele um traste. Não que eu me importasse. Não me incomodava mais com o que os outros pensavam. Não precisava me incomodar. Como Riley dizia, agora eu era uma deusa. Mais forte, mais rápida, melhor. Ninguém mais importava.
Diego assobiou baixo.
- Lá vamos nós. Só é preciso um pouco de inteligência e paciência.
Ele apontou para baixo, para o outro lado da rua.
Meio escondido pelas sombras de uma viela escura, um homem xingava e esbofeteava uma mulher, enquanto outra assistia à cena em silêncio. Pelas roupas, deduzi que eram um cafetão e duas de suas prostitutas.
Era isso que Riley nos mandava fazer. Caçar a escória. Escolher os humanos de quem ninguém sentiria falta, aqueles que não estavam voltando para casa e para a família, os que não gerariam ocorrências de desaparecimento.
Era o mesmo critério pelo qual ele nos escolhera. Refeições e deuses, ambos buscados da escória.
Diferentemente de muitos outros, eu ainda fazia o que Riley mandava. Não porque gostasse dele. Esse sentimento desaparecera havia muito tempo. Era porque o que ele dizia parecia certo. Que sentido faria chamar atenção para o fato de que um bando de novos vampiros dominava Seattle e fazia dela seu território de caça? Como isso poderia nos ajudar?
Eu nem mesmo acreditava em vampiros antes de me tornar uma. Se o restante do mundo não acreditava em vampiros, quer dizer que os outros da espécie deviam estar caçando com bom senso, como Riley nos dizia para fazer. E eles provavelmente tinham uma boa razão para isso.
E, como Diego dissera, caçar com bom senso só exige um pouco de inteligência e paciência.
É claro que todos nós cometíamos muitos deslizes; Riley lia os jornais, resmungava e gritava conosco e quebrava coisas – como o videogame favorito de Raoul. Então, Raoul ficava furioso e descontava a raiva queimando um de nós. Riley ficava ainda mais furioso e fazia outra revista para confiscar todos os isqueiros e fósforos. Algumas rodadas mais, e Riley trazia para casa outro punhado de garotos vampirizados, gente da escória que ele colocava no lugar daqueles que perdera. Era um ciclo infinito.
Diego puxou o ar pelo nariz – uma inspiração profunda, longa – e eu vi a postura dele mudar. Ele se abaixou no telhado, uma das mãos agarrada à beirada. Toda aquela estranha simpatia havia desaparecido – ele agora era um predador.
Isso era algo que eu reconhecia, algo com que me sentia confortável. Porque isso eu entendia.
Desliguei meu cérebro. Era hora de caçar. Respirei fundo, inalando o odor do sangue no corpo das pessoas lá embaixo. Não eram os únicos humanos por perto, mas eram os mais próximos. Quem você caça é o tipo de decisão que se deve tomar antes de farejar a presa. Agora já era tarde demais para fazer qualquer escolha.

Texto finalista na categoria Crônica da Olimpíada de Língua Portuguesa 2010

22:32 A leitora 0 Comentários Categoria : , , , ,


Hey Leitores! Depois de ler aqui o texto finalista na categoria Memórias Literárias e saber um pouco mais sobre como era Cordeirópolis, leia também outro texto  finalista, dessa vez  na categoria Crônica. Aprecie e deixe sua opinião, ela é sempre muito bem-vinda ;)



Praça Central de Cordeirópolis
Ah! Quantas primaveras!


      Lá estava eu no banco da praça. Sabe aquela praça por onde todos passam, riem uns para os outros? Onde aqueles lindos velhinhos vivem jogando baralho e irradiando simpatia a todos... Onde as árvores são lindas e verdes e, após uma hora de caminhada, oferece repouso para minhas cansadas pernas!? Mas aquela praça não era uma praça qualquer, era a praça da minha cidade... Ah, Cordeirópolis! Então por este e por mais mil motivos, aquela praça nunca deixará de ser especial.
      Meus olhos piscaram e, de repente, pensei “o que seria daquela praça sem aquelas pessoas? Sem as anciãs enraizadas que carregam em cada folha que cai ao chão a esperança, sem aquele vento a sussurrar em meus ouvidos e solenemente bater em meus cabelos e bagunçá-los... Mas, afinal, o que seria daquela praça sem aqueles velhinhos que todos os dias se reúnem para jogar cartas naquelas mesinhas construídas especialmente para eles? Quanta alegria! Que praça especial! Talvez eles estejam lá também para se encontrarem e darem um ao outro o prazer de terem um amigo e ensinarem que, por mais que o tempo passou, a vida ainda não acabou!
      Permaneci sentada sozinha e, ao decorrer da reflexão, avistei uma mulher com muitas primaveras, mas não era uma senhora qualquer, eu sentia dentro de mim que aquela dama era especial.
      Ela estava sentada sozinha do outro lado da praça, talvez reparando na natureza, nas maravilhas da vida. A coitadinha tinha os cabelos brancos, a pele enrugada, talvez não sorrisse porque não tinha seus lindos e queridos dentes que se perderam no decorrer das estações.
    Comparei aquela dama com uma lida e gigantesca árvore, imponente ao lado do banco no qual eu ali estava. Quanta semelhança! Aquela árvore já foi uma semente, logo depois virou um broto e, em seguida, virou uma muda, e depois virou uma pequena árvore, e logo cresceu, e depois se transformou, e deu seus frutos e, aos poucos, envelheceu, mas continuou com sua beleza esplêndida e, a cada momento, fui tendo a certeza de que aquela senhora dava um colorido diferente aquele cenário.
     Aos poucos, fui me aproximando daquela humilde senhora até que comecei a sentir ternura por suas alvas madeixas e não deixei de notar que nós duas tínhamos muito em comum.
      Fui chegando cada vez mais perto,  já sentindo seu doce perfume. Sentei-me ao seu lado, olhei no fundo dos olhos dela e consegui a coragem para me desculpar:
        “Como sou distraída! Me desculpe vovó, estou atrasada”.

Bárbara Maria Carneiro da Silva, aluna da E.E. Jamil Abrahão Saad.

Texto finalista na categoria Memórias Literárias da Olimpíada de Língua Portuguesa 2010

20:28 A leitora 0 Comentários Categoria : , , ,



Olá Leitores! O texto que disponibilizo aqui foi escrito por uma aluna da Escola Jamil Abrahão Saad, da cidade de Cordeirópolis, em 2010, para participar da Olimpíada de Língua Portuguesa, sendo que, como consta no título do post, foi um dos finalistas. Uma vez que o tema da Olimpíada é "o lugar onde vivo", viaje no tempo e conheça um pouco da história da pequena-grande cidade chamada Cordeirópolis.



Trilhos de um pé vermelho


Alunos na estação ferroviária de Cordeirópolis
      Caminhando pela praça, percebo como Cordeirópolis mudou. As casas, as lojas, os mercados, a praça central, nada é igual, se comparada aos meus tempos de garoto. Houve muito progresso, mas nem todas as mudanças foram para melhor.
      O que aconteceu com a minha amada estação ferroviária, onde trabalhei 30 anos, 6 meses e 2 dias, é uma dessas mudanças que me faz chorar. Com 87 anos, é muito triste para este “pé vermelho” – Manoel Eduardo – aceitar as ruínas que vejo hoje em seu lugar, que antes tinha um colorido especial, cheio de vida, embalado pelo doce som do trem, música para meus ouvidos. Ah! Nós, moradores dessa cidade, éramos conhecidos como “pé vermelho” porque a terra aqui é de um vermelho muito forte, e quando andávamos pelas ruas ainda não cobertas de piche, manchava nossos pés.
        A estação era mágica, o cheiro dos doces, da fumaça quando o trem apitava na estação, o perfume das donzelas – hoje simplesmente garotas –... tudo se misturava no ar criando um novo aroma.
      Ficava 8 horas ,todos os dias, responsável pelo controle dos horários, manuseando as alavancas que colocavam os trens nos trilhos corretos, evitando que se chocassem. Cada Maria fumaça –locomotiva a vapor do início do século XX- que apitava no horizonte, fazia me sentir importante e ficava ansioso para ver em cada janelinha dos vagões uma face única.
      Quantas lembranças boas da minha estação daqueles tempos, que agora se desbotam perante a tristeza que sinto ao vê-la hoje, pois lutei tanto para que ela fosse amada e respeitada, mas o que observo é o contrário. Não há mais nenhuma melodia, nenhum perfume, só o latido cortante do cachorro vira lata, amarrado à carcaça enferrujada daquilo que um dia foi um carro, mato saindo de dentro da minha cabine, agora destelhada, e se espalhando pelo chão, tudo combinado com as casas arruinadas, refletindo a dura situação dos pobres moradores, que compartilham com a estação a desilusão do abandono.
       Essa situação de desprezo me dá muita dor no peito, fico sem fala, e essas lágrimas que umedecem minha pele enrugada são como chuva tentando trazer vida nova à terra seca. Todo esse desrespeito com as coisas de nossa história e com a minha idade já avançada fazem com que eu não tenha mais esperança de ver outra vez os trens passando pela nossa velha estação, levando e trazendo vida a tantos lugares.
        Espero que este lugar, outrora o coração de nossa cidade, hoje símbolo do descaso social, seja revitalizado para que novas gerações amem e zelem por ele, assim como eu fiz no passado, que os próximos “pés vermelhos” olhem para o futuro, cuidando do presente e, dessa forma, possam “trilhar” suas histórias.

Andréia Marinho de Sousa - aluna da E.E. Jamil Abrahão Saad.